segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Canção noturna


© Márcia Sanchez Luz



(Img: Moça dormindo, de João Werner)


Não quero mais que digas ter amor
por mim, quando bem sei que só me queres
para enfeitar teu corpo com prazeres
que ao fim me causam sofrimento e dor.

Não quero estar contigo e meu frescor
te dar inteiro. Eu sinto que me feres
porque desejas mais de mil mulheres
por garantia, para o teu louvor.

Esquece o que vivemos, eu te peço!
Foi tudo uma ilusão desenfreada
que agora finda e a paz é o meu ingresso

à vida que me espera mais ousada.
Isto é o que pagas pelo desapreço,
por me fazer chorar de madrugada.

32 comentários:

  1. Márcia,
    Gostei do Soneto, se você quiser
    vê-lo divulgado por "MENSAGENS POÉTICAS" Entre em contato comigo:
    poetaademar@yahoo.com.br

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  2. Todos sabem que o soneto é a mais difícil poesia existente.
    O que não impede Márcia de repetidamente ter sucesso quando os escreve, como este. A autora exige amor, faz questão, como expressamente afirma, num canto muito bem cadenciado. Gosto de ler!

    Beijos, poeta.
    Jorge

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  3. O pranto solitário acende a mágoa incendiando o soneto de Márcia que, magnificamente, o reconduz a Paz contida por uma ilusão.

    Parabéns, querida Poetisa!

    Bjs

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  4. Ademar, será um prazer ter o soneto divulgado por você. Já lhe enviei um email.

    Obrigada

    Márcia

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  5. Jorge, escrever sonetos exige, de fato, dedicação e trabalho árduo... Agradeço pela leitura cuidadosa, como sempre, e pelo carinho de suas palavras.

    Beijos

    Márcia

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  6. Minha querida Lígia, ainda bem que temos a poesia e a música como expressão de sentimentos! Obrigada por vir abrilhantar este espaço, que é de todos nós.

    Beijos

    Márcia

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  7. Carlos Benítez Villodres9 de janeiro de 2012 16:55

    09-01-12
    Precioso, genial, estimada y admirada amiga Márcia, tu último soneto. Enhorabuena. Muchas gracias por compartir con los amigos esa luminosa estrella poética.
    Besos
    Carlos Benítez Villodres
    Málaga (España)

    http://www.carlosbenitezvillodres.es

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  8. UM EXTRAORDINÁRIO ANTI-POEMA DE AMOR!BRAVÍSSIMO!

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  9. Belíssimo poema pelo avesso, como diz o Roger! Na aparência, uma atitude. Na essência, um queixume...
    Como sempre, o esmero na escolha de cada palavra, e domínio da cadência e magia do soneto! Paradigma a ser seguido.
    Beijos, minha amiga!

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  10. Carlos, é uma honra recebê-lo neste espaço. Fico muito feliz e grata por sua gentileza.

    Beijos

    Márcia

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  11. Rogel, agradeço pela leitura mais que atenta do soneto. É isso mesmo, um anti-poema de amor! Que bom que veio prestigiar este espaço!

    Beijos

    Márcia

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  12. Caio, a atitude existe também na essência, mesmo que mascarada por lamentos...
    Agradeço, do fundo do coração, pelo carinho com que sempre trata meus poemas!

    Beijos

    Márcia

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  13. João Coelho Santos9 de janeiro de 2012 22:23

    O seu soneto tem a excelente qualidade a que nos acostumou. Muitos tentam fazer a poesia na superior arte do soneto, mas poucos o conseguem com a sua mestria. Eu nem tento, por respeito aos maiores...

    Saúde e Paz.
    João

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  14. María Sánchez Fernández9 de janeiro de 2012 22:25

    Querida Marcia: Acabo de ver tu blog O Imaginario y tus múltiples sonetos son preciosos todos. El hacer un buen soneto es un reto para el poeta pues es la forma más difícil de expresarse en el verso. El último que has incluído, "Canción Nocturna", es un canto al desamor o al amor no correspondido. Quizás un reproche al ego de algunos hombres que utilizan la entrega de la mujer para después ignorarla.
    Te felicito amiga.
    Un abrazo desde España
    María Sánchez Fernández

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  15. Há sempre um soneto saborosamente novo na poesia-banquete de Márcia Sanchez Luz.

    Fabbio Cortez

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  16. Feliz de quem se desilude... Quando caem os véus, revela-se a verdade retratada neste poema, que começa num lamento e evolui por todos os subtons da libertação.
    "Vai, vai mesmo; eu não quero você mais. Você machucou meu peito. Não tem mais o direito de zombar da minha paz. Vai ou não vai?". Era um samba de carnaval da minha infância que você me fez reviver no túnel do tempo.

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  17. Olá, Márcia.
    Reparo nesse soneto, na forma que lhe deste, mais um recurso teu ao fazê-lo fluir continua e harmoniosamente, verso a verso, sem que se perceba a quebra das estrofes. Nisso, o poema flui como a manifestação que vem de dentro, na dialógica de um lamento. Mas no entanto, tu te impões diante desses versos e ressurges sobranceira diante do que já foi mágoa e agora é liberdade. Gostei muito. bjs. Marco.

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  18. BEM SABES A RAZÃO DE NÃO TE AMAR

    Cicero Melo

    Bem sabes a razão de não te amar:
    Eu quero liberdade – mil mulheres.
    Odeio a mesa posta com talheres.
    Odeio a hora certa do jantar.

    Não quero marcar ponto ao voltar,
    Nem quero de milícia ser alferes.
    Decifra-me os segredos, se puderes.
    Bem sabes que moro neste bar.

    Bem sabes que vivo tão somente
    Das regras que não dão os bons conselhos
    E do fruto traçado na semente.

    Amar - a liberdade dos espelhos.
    Porque Amor se apega tanto à gente,
    Como chatos cravados nos pentelhos.

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  19. Bom dia querida Poetisa Márcia, muito gratificante ler este seu belo Soneto , aos primeiros acordes do dia. A Poetisa usa da palavra com maestria, dando ao Soneto forte emoção e conteúdo, de quem sabe e conhece essa arte maior, meus cumprimentos,
    saudosamente,
    Efigênia Coutinho

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  20. Os engenheiros e arquitetos aplicam-se a construção de suas obras desde a maquete. E você Márcia com suas obras vai além maquetes.

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  21. Querida, gosto muito deste seu soneto, que me soa como a quebra dos grilhões de um sentimento masoquista, que só machuca — longe, bem longe do que deveria ser um amor afetuoso e cúmplice. Ou seja, poeticamente você começou 2012 muitíssimo bem.
    Beijos,
    Leila

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  22. João Santos, agradeço por suas palavras. Não importa a forma de expressão através da poesia, mas sim o que ela nos diz, não é mesmo?

    Querida María, "Canção noturna" é sim um basta ao que não nos faz felizes, um grito de libertação. Adorei seu comentário, sua leitura atenciosa. Obrigada.

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  23. Aracéli, você disse tudo agora. Como é importante a desilusão, a traição (em todos os sentidos)e o encontro com a verdade! É, afinal, o que nos faz crescer e lutar pela libertação. Obrigada por sua leitura atenta e carinhosa, minha querida.

    Beijos

    Márcia

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  24. Marco, é verdade...o lamento possui tais características. É contínuo, como se a pessoa precisasse escutar a própria voz por um longo tempo, até conseguir transformá-lo em liberdade.
    Obrigada, amigo e poeta, por mais esta demonstração de carinho e sensibilidade.

    Beijos

    Márcia

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  25. Fabbio, você é sempre muito gentil. Obrigada por ter vindo prestigiar este espaço.

    Abraços extensivos a todos os seus.

    Márcia

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  26. Cicero, para amar é preciso libertar não só o ser amado como a si mesmo...
    Obrigada por ter vindo.

    Márcia

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  27. Muito obrigada pelo carinho de suas palavras, Efigênia. Que bom vê-la aqui!

    Beijos

    Márcia

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  28. Antonio, você estava sumido, hein? Muito trabalho no Natal? Obrigada por seu carinho.
    Que você e todos os seus entes queridos estejam bem!

    Márcia

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  29. Leila, minha querida, que bom que você veio! Sim, amar tem de ser, antes de tudo, libertar, não magoar...aí surgem, naturalmente, a cumplicidade e o afeto. Caso contrário, o relacionamento se torna um fardo pesado demais...
    Obrigada pelo carinho de suas palavras e por ter vindo abrilhantar este espaço!

    Beijos carinhosos

    Márcia

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  30. Rizolete Fernandes14 de janeiro de 2012 20:36

    Oi!
    Sua Canção Noturna é um petardo certeiro em quem não valoriza o amor!

    Abraço,

    Rizolete Fernandes

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  31. Marcinha,

    aquele soneto não é um comentário ao seu "Canção Noturna". Foi escrito no meu período de goliardo (1986) e nunca foi publicado. Contudo, quando li o seu poema, vi, com surpresa a afinidade e a anti-simetria entre ambos, as palavras comuns "mil mulheres", o rítmo idêntico, e os temas completamente opostos, como se um falasse com o outro, tão distantes no tempo. O verso final é cruel, mas é o que chamávamos, à época, de "chave de couro". Pode chocar almas sensíveis.

    Abraços,

    Cicero

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  32. Lindo, bom fim de semana beijo Lisette.

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