quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Colheita


© Márcia Sanchez Luz

 
    Divine Geometry - Vladimir Kush
 


Andei por sóis distantes e vazios,
atrás do vento que pudesse ter
a explicação de tanto anoitecer
sem ti para acalmar-me os arrepios.

Vaguei por entre ausências, dias frios,
atrás da brisa morna a percorrer
meu corpo sem teu corpo, sem prazer,
mas nada! Achei somente parcos rios

de prantos que deixei pelo caminho.
E tantas lágrimas me vi bebendo
(como a tentar desafogar a dor)

durante a minha estada sem carinho!
Agora eu sigo em frente e me transcendo
na vida, seja ela como for.


45 comentários:

  1. Bonito, siga em frente, poeta, abraço!

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    1. Outro belo soneto, de ótimo conteúdo e muito bem escrito. Retribuindo., te deixo o soneto abaixo um soneto meu.
      Beijos (Humberto - Poeta)



      SÍNTESE
      Humberto Rodrigues Neto

      Vivi buscando as rútilas quimeras
      de fátuos beijos e sensuais abraços,
      e hoje constrinjo, no vazio dos braços,
      a solidão de todas as esperas!

      Construindo em nadas minhas primaveras,
      vim tropeçando em todos os cansaços:
      lá atrás faliram meus inúteis passos
      e as vãs promessas que julguei sinceras.

      Represos nuncas sufocando o mar
      dos meus agoras... Em mais nada crer,
      nem mais no sempre conjugar amar!

      Nada mais ser, na química do ser,
      que o compulsivo anseio de chorar,
      e a possessiva urgência de morrer!

      --- oOo ---

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    2. Mario Pirata, bom vê-lo aqui. Seja bem-vindo, poeta!
      Grande abraço.

      Humberto, não estava encontrando seu comentário...você o postou em resposta ao comentário do Mario Pirata...rs. Agradeço por sua presença e pela partilha de seu lindo soneto.
      Beijos.

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  2. Que lindoooo Ma...ameiiii..Lais Taranto

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    1. Que bom que gostou, minha linda! Venha sempre, que será muito bem-vinda.
      Beijo carinhoso.

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  3. Querida escritora Márcia, você não imagina minha alegria em receber seu convite para ler este seu Soneto "Colheita", onde sua alma poeta desliza nas alamedas da vida, em questionamentos de ausências, dias frios, LINDO!
    Saudosamente,
    Efigenia Coutinho

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    1. Efi querida, em muito me emociona seu comentário! Obrigada por sua presença e carinho.
      Beijos

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  4. Desejava ser simpático consigo e votar no top blog mas lamentavelmente,o concurso já está fechado, segundo informações da Lomadee. Fica a intenção. Parabéns pelo blogue.

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    1. Jorge, você está sendo muito simpático. O que vale é a intenção. Fiquemos na torcida pelo blog!
      Obrigada e volte sempre.

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  5. Seguir em frente, sem medo das encruzilhadas da Vida.
    Uma lição, Márcia!

    Beijos,
    Jorge

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    1. Amigo Jorge, há que superá-las, não tem como ser diferente. Caso contrário, cairíamos num abismo sem fim...
      Obrigada por suas palavras e pela cuidadosa leitura do soneto.
      Beijos.

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  6. Márcia Sanchez Luz é, atualmente, uma das mais destacadas poetisas brasileira. E "Colheita" é, ao mesmo tempo, um lamento dolorido e um cântico de coragem.

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    1. Caio, obrigada pela gentileza de seu comentário que, como sempre, me comove, não só pelas palavras mas por ter ido ao cerne do soneto.
      Beijos, querido amigo.

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  7. Lindíssimo soneto, Márcia!
    Fico muito grata pelo seu convite e é sempre uma alegria encontrar companheiros nesta infindável e complexa viagem pelo soneto!

    Os meus parabéns e o maior dos meus abraços!

    Maria João Brito de Sousa

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    1. Querida Maria, sou eu quem agradece por sua presença, o que em muito me faz feliz! É bom demais saber que não estamos sozinhas na vida e na arte.
      Beijos e meu carinho.

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    1. Obrigada por sua presença, Jônatas. Venha sempre que quiser e puder.

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  9. Márcia,
    os seus sonetos são pérolas raras somente mares profundos e cheios de sóis conseguem guarda-los. Só uma poeta de tamanha sensibilidade e paíxão consegue encontrar para enfeitar belas joias. Meus parabéns e fico muito feliz quando aparece uma mensagem me convidando para entrar no seu blogue.

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    1. Mauro, você é de uma gentileza que me comove! Saiba que a alegria é toda minha quando vem me visitar neste espaço que é de todos nós. Obrigada.
      Abraços.

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  10. Márcia, você abre o coração e dá palavras ao que sentimos tantas vezes quando a ausência nos é imposta. Tantas lágrimas me vi bebendo como tentando desafogar a dor. Tão verdadeiro que seria inútil comentar, minha querida.

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    1. Minha querida Aracéli, a ausência dói tanto que a gente perde o chão e não sabe para que lado vai... Suas palavras me emocionam de tal maneira que emudeço e procuro escutá-las no silêncio, onde elas ecoam e entram no coração.
      Obrigada.
      Beijos carinhosos.

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  11. Sobre a COLHEITA e outra poesia de sua autoria:
    Cara Márcia
    Continua a escrever poesia com a mestria de quem saber expor em versos a verdade dos sentimentos humanos, como neste soneto que ora se mostra.
    Fraterno abraço
    Eugénio de Sá

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    1. Caro Eugénio, agradeço muitíssimo pela delicadeza de suas palavras. É tão bom quando a gente consegue tocar o coração de alguém!
      Terno abraço.

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  12. Versos de uma sensibilidade rara. Desejo que esse vazio se preencha de luz e que esse rio de lágrimas seque!
    Beijinho para essa poeta
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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    1. Ruthia, é um prazer vê-la aqui. Agradeço pelo carinho de seu comentário.
      Beijos

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  13. Olá Márcia querida!
    É sempre bom visitar seu "Imaginário"...
    Belo poema...
    Beijos carinhosos!
    Ligi@Tomarchio®

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    1. Obrigada, querida Ligia! Que bom que você veio!
      Beijos.

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  14. O seu olhar sobre a dor nos faz esquecê-la antes de terminarmos essa bela leitura, Márcia.
    O soneto é uma belíssima tragédia, querida.
    Parabéns!

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    1. A "Colheita" é uma maravilhosa tragédia, querida.(Editando)

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    2. Lígia querida, fico feliz que "Colheita" tenha tido este efeito em você. Obrigada, do fundo do coração, pela carinhosa mensagem.
      Beijos.

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  15. Oi, Márcia... fiquei muito feliz por poder navegar mais este lírico oceano da sua obra poética, cujas ondas carregam toda a energia do seu ser para o nosso embevecimento observando os sublimes mares do seu coração. Parabéns e muito obrigado por esta honra. Com carinho. Luiz Poeta

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    1. Luiz, muito obrigada pela gentileza de sua visita e das palavras, que em muito me honram e me fazem feliz.
      Abraço fraterno.

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  16. Sempre afeita à métrica
    tal a dor que te aflige
    jamais lhe faltam rimas
    estrofe, perfeito clima

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    1. Adroaldo, poeta e amigo, agradeço o carinho em forma de quadra, sempre tão pertinente.
      Abraços.

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  17. Márcia

    Bom Dia

    Começo a semana acertando em cheio ao vir visitar seu blog e ler seus versos.

    Há sentimento e LUZ no que escreves.

    Fraterno abraço

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    1. Boa noite, 007 BONDeblog, fico muito feliz com sua presença neste espaço que é de todos. Obrigada.
      Abraços.

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  18. Rizolete Fernandes4 de dezembro de 2012 23:35

    Oi!

    Poder-se-ia chamá-lo de Soneto do Aprendizado, ou Aprendendo com a dor, pois não?

    Abraços, Rizolete

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    1. Sim, querida...até podia, principalmente por conta de sua cuidadosa leitura, que em muito me faz feliz!

      Beijos

      Márcia

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  19. Li o seu soneto e achei muito bom, tem poesia, métrica, conceituação poética e outras velas qualidades literario-poéticas. Grato e se aparecer veja algum soneto de minha safra poética de 7 livros recheados deles. Lino Vitti.

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    1. Lino, agradeço pela gentileza de suas palavras. Seus sonetos são lindíssimos e voltarei para ler mais.

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  20. Belas colheitas as da sua personagem deste soneto, querida, em busca de vivências mais prazerosas e sensíveis. Beijos, Leila

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    1. Leila, minha dinda do coração, não canso de te agradecer por tantos ensinamentos. Sua presença é sempre motivo de muita alegria, viu?

      Beijos carinhosos

      Márcia

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  21. Sim seja como for sempre será importante para colher sabedoria, beijo Lisette.

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    1. É isto sim, Lisette! Viver é sempre transcender, o que você faz com sensibilidade e sabedoria.
      Obrigada por sua presença.

      Beijos

      Márcia

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  22. Olá Marcia! belo soneto. Parabens.
    J.Hilton

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