quinta-feira, 25 de julho de 2013

Limite

© Márcia Sanchez Luz



     (Img: Apanhador de sonhos - Vladimir Kush)



Durante meses, anos, se apagou
o brilho da poesia e da canção.
E descontente, então, o coração,
de luto e amarguras se inundou.

O fato é que esta dor já se arrastou
por muito tempo. Basta de aflição!
Não posso mais viver na contramão
de meus desejos – a emoção gritou.

Eu quero da tristeza estar distante,
sentir da vida a leve brisa infinda
que o peito e o corpo todo acaricia.

Como é cruel a dor dilacerante,
que mesmo nunca sendo ela bem-vinda
insiste em ser da vida companhia!

23 comentários:

  1. Respostas
    1. Grata pelo carinho de sua leitura, José Hilton.

      Márcia

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  2. A "dor dilacerante", às vezes não tanto, "insiste em ser da vida companhia". Mas, nessas contradições, a vida diz mais alto, "a leve brisa"...[que] "acaricia".

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    1. Sim, Milton, a vida sempre deve falar mais alto, não importa o quanto doa... As contradições são necessárias – elas provocam questionamentos – para nosso crescimento espiritual.
      Agradeço imensamente por sua visita e comentário.

      Abraços

      Márcia

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  3. Parabéns, querida Márcia, pela inundação da poesia em sua vida. Paz e bem, Grauninha.

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    1. Obrigada por todo o seu carinho, minha querida Grauninha.
      Paz e bem pra você também!

      Beijos

      Márcia

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  4. pois o acontecimento de seu soneto sempre é um grande evento

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    1. O grande evento é sua presença, Rogel!
      Obrigada por ter vindo.

      Forte abraço

      Márcia

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  5. João Coelho dos Santos26 de julho de 2013 17:54

    "Como é cruel a dor dilacerante,
    que mesmo nunca sendo ela bem-vinda
    insiste em ser da vida companhia!"

    Soneto maravilhoso em que a poetisa nos diz do seu regresso ao que ela ama - a poesia - mas porque sabe que o poeta só é bem grande se for triste! - sabe que terá a dor como companhia, como tão bem diz neste terceto!

    Lindooooo, amiga.

    Carinho.

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    1. João, costumava pensar que para poetar era preciso estar triste, mas descobri que isso também é possível na alegria. Diria, assim, que para escrever é preciso ter sensibilidade e ver o mundo de um jeito diferente das pessoas...neste sentido, concordo inteiramente com você, pois o poeta tem uma tristeza dentro de si, exatamente por ver a vida sob outro prisma...
      Muito obrigada por sua atenta leitura.

      Márcia

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  6. Recebido por email...

    Bonito. Tens pendores poéticos , graça de que poucos dispõe. Eu tenho centenas de sonetos. Vou tentar enviar um: A Grande Mentira.

    Lino Vitti

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    1. Caro Lino Vitti, A Grande Mentira é uma assustadora verdade e um belíssimo soneto. Certa vez você me enviou este soneto e o publiquei, com sua autorização, em um de meus blogs, veja: http://marciasl2001.blogspot.com.br/search?q=a+grande+mentira
      Obrigada pelo carinho da leitura.

      Forte abraço

      Márcia

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  7. Roberto Romanelli Maia26 de julho de 2013 18:37

    QUERIDA MARCIA SEUS POEMAS SÃO SEMPRE UMA LUZ NA ESCURIDÃO
    BEIJOS BETO

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    1. Obrigada, Beto! Saiba que suas palavras me deixam muito feliz!

      Beijos

      Márcia

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  8. Márcia,
    como são belos os teus sonetos, mesmo quando fala da dor dilacerante que nunca é bem-vinda, mas sempre insiste na nossa vida. Parabéns, principalmente pelo retorno à poesia e ao blogue!

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    1. Mauro, a dor é nossa companheira apesar de nunca ser bem-vinda... Por outro lado, é através dela que aprendemos muita coisa, não é mesmo?
      Obrigada por sua presença.

      Márcia

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  9. Bellísimo poema... Llega al alma...Felicitaciones, amiga...

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    1. Fico feliz demais em saber que “Limite” tocou sua alma, Graciela!
      Obrigada pelas palavras e pelo carinho de sua visita.

      Márcia

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  10. Márcia, desnecessário falar da forma, o que tantas vezes fiz, aplaudindo. O soneto pega forte, o basta às ilusões tem sempre de ser definitivo.
    Todavia, o preço do desejo libertário é sempre elevado, nas suas múltiplas consequências. Você nos apresenta um libelo e, com ele, uma lição de vida. Esta é curta, só há que insistir em que seja plena e valha a pena. Insitir em querer "da tristeza estar distante, sentir da vida a leve brisa infinda"...
    Beijos, minha amiga.

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  11. Sim, Caio...a vida sempre tem de valer a pena, por mais que tenhamos de pagar por nossas escolhas...
    Obrigada pelo carinho de suas palavras.

    Beijos

    Márcia

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  12. Cada dor nos faz valorizar a vida...
    Beijo Lisette.

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  13. Querida poetisa Márcia,

    Será a dor curso intensivo
    na estrada do compreender
    na emoção o halo mais vivo
    que ao doído faz viver?

    Aplausos ao teu belo soneto.
    Fica com o abraço carinhoso e fraterno da
    Regina Coeli/Rio de Janeiro/RJ.

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