sábado, 30 de novembro de 2013

Seiva Fátua

© Márcia Sanchez Luz














(Img: Lucidez I, Gustavo Saba)


Eu te agradeço porque me cedeste
o corpo inteiro numa entrega mútua,
em que o prazer em sua forma agreste
rompeu de nossos corpos seiva fátua.

Insana gratidão a que me presta!
Pois se foi mútua, por que agradeceste?
Nesta paixão arrebatada e farta
não tem calor que não se manifeste!

Mas assim mesmo eu quero te dizer
que pude ser teu rei e teu vassalo
no instante em que tu foste minha amante.

Que seja então prazer a florescer
dentro de nossas almas! O que exalo
é fruto deste amor inebriante.



(Do livro “Porões Duendes”)


4 comentários:

  1. Lindo, sempre com obras de palavras brilhantes num significado mágico !
    Parabéns :)

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    1. Obrigada, Morgado! Fico muito feliz com suas palavras.

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  2. O soneto, arquitetura, exige perícia de joalheria: um movimento em falso e ele se desmancha. Márcia domina a forma com maestria, mas, é no explendor etéreo do conteúdo de onde tira, de qualquer elemento, o mais cristalino brilho...

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  3. Caio, concordo com o que diz a respeito do soneto e agradeço pela gentileza de suas palavras, que muito me emocionam.

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