terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Contradança


© Márcia Sanchez Luz




(Img: Dançarina, de Zhaoming Wu)


Sou feito a bailarina que descansa,
entregue após a valsa que entristece
e que a faz, sorrateira em esperanças,
refrear o desejo que emudece.

Tão pouco sei de mim e de você!
(Do riso pulsa a veia latejante)
O espelho em que me vejo é tão clichê!
Reflete até o espaço itinerante!

Assim, quando acordar da contradança,
aguardarei o olhar que me envaidece
e que me faz corar e me enternece.

E entardecendo a dor que não fenece
meus olhos, de cansaço, vão se unir.
À espera, movimento não padece.


(Do livro "Porões Duendes")

29 comentários:

  1. Vou usar linguagem vulgar. Às vezes fala mais alto do que qualquer outra.
    Bota bailarina nisso!

    Beijo,
    Jorge

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  2. Ah, Márcia, que bela essa contradança!
    Minhas loas para vc jamais se esgotarão e enquanto me delicio com o esse maravilhoso soneto, repito: "Parabéns, minha Poetisa do coração!"

    Um bj

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  3. Marcia
    Li com atenção os três últmos sonetos:
    Bailarina, Canção noturna e União. Nos três há uma pitada de angústia do amor, da atração pelo que um leve sensualismo que dá beleza às composições. Gostei muito. Sds. Milton Martins

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  4. Márcia, nem vou falar da forma de seu soneto, pois é perfeita. O que salta à sensibilidade da gente é o seu dom de levar o leitor para dentro do universo que você aponta: aqui a gente dansa e sente tudo o que se passa com a bailarina. Há um elã, um enlevo que moblizam nossa atenção até eles relaxarem no descanso e silêncio do fim da música e do movimento.

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  5. Beleza, Marcinha. Minhas felicitações!

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  6. Estimada Poetisa Márcia, toda vez que leio um Soneto seu, é motivo de oblação, tal requinta de suas letras Poéticas, aqui novamente nos brinda com Contradança, magnificamente lírico!
    Obrigada por podermos partilhar de suas obras literárias,
    com admiração,
    Efigênia Coutinho

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  7. Jorge, é nesta linguagem, dita vulgar, que as pessoas se comunicam verbalmente. Assim, por que não usá-la também na comunicação escrita?
    Obrigada por ter vindo.

    Beijos

    Márcia

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  8. Lígia, minha querida, agradeço de coração por suas palavras, sempre gentis e carinhosas. Sua presença me deixa muito feliz, viu?

    Beijos

    Márcia

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  9. Milton, creio que amar, assim como viver, é por vezes angustiante, apesar de delicioso.
    Obrigada por sua leitura cuidadosa e pela visita.

    Márcia

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  10. Obrigada, Aracéli! Fico feliz demais em saber que "Contradança" teve este efeito em você.
    Você foi fundo na leitura do soneto - Sua afirmação "descanso e silêncio do fim da música e do movimento" é abrangente, se aplica a diversas situações da vida... ;-)

    Beijos, minha querida.

    Márcia

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  11. Obrigada, Cicero. Volte sempre, pois sua presença é muito bem-vinda.

    Abraços

    Márcia

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  12. Eu é que agradeço por sua presença e pelo carinhoso comentário, Efi.

    Beijos

    Márcia

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  13. Olá!
    Foi um grande prazer conhecer seu blog.Aproveito meu tempo para navegar e ler textos e poemas feitos por pessoas que gostam de escrever.
    Que bom que você é uma delas.
    Grande abraço
    se cuida

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  14. Olá, Márcia,

    Adoro sonetos...não é a minha forma preferida para escrever!
    Mas para ler, memorizar, pensar, para mim, são os melhores!

    Parabéns pela sua arte!

    Abraço

    www.pedradosertao.blogspot.com

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  15. Márcia,
    é muita candura e ternura na sua poesia, você não é uma bailarina que baila e mexe com a nossa sensibilidade, mas um anjo que faz aflorar a nossa emoção. Parabéns, bailarina das palavras!

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  16. Márcia Forte e denso, e ao mesmo tempo, gracioso e frágil...
    Retrata o "eterno feminino" que nós muitas vezes não entendemos, ou sequer conhecemos. E não lamenta, fala "de cima"... Não se humilha, se dignifica. Gostei!
    Beijos, minha querida amiga.

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  17. Márcia querida:
    Vc fez um bom trabalho, na verdade, um belo soneto. E é interessante observar que, apesar do suporte fixo, o soneto é uma forma que pode ser revisitada e revigorada. Já cometi alguns, também. E acho que “acertei a mão” em duas vezes.
    E nunca me esqueço do Livro de Sonetos, do Jorge de Lima. Ele fez, radicalmente, isso que falei aí acima. Volte a ele e dê uma espiada. Vale a pena.
    Abração fraterno
    rubens

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  18. Maristela, grata por sua visita. Fui conhecer seu blog e gostei do que vi. Voltarei mais vezes para conhecer melhor seu espaço.

    Abraços

    Márcia

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  19. Araceli (Pedra do Sertão), muito obrigada por sua presença. Escrever sobre o que sentimos, vivenciamos e percebemos é sempre muito bom, não importa a forma.

    Abraços

    Márcia

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  20. Mauro, você é muito gentil! Estou comovida com a generosidade de suas palavras.
    Obrigada, do fundo do coração.

    Márcia

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  21. Caio, você é de uma sensibilidade que comove! Acredito que entenda - e muito - do "eterno feminino"...caso contrário, não faria a leitura que fez de "Contradança" ;-)
    Obrigadíssima por seu carinho.

    Beijos

    Márcia

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  22. Rubens, fazer soneto é sempre um desafio delicioso, tanto em sua forma clássica como na pós-moderna... Quem conhece as regras sabe quebrá-las, como o fez tão bem Jorge de Lima.
    Agradeço pelo carinho de sua leitura e por honrar-me com sua presença.

    Um grande abraço

    Márcia

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  23. Cada passo um acorde para vida, beijo Lisette.

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  24. OS POEMAS DA QUERIDA AMIGA MARCIA SÃO PEROLAS RARAS NUM OCEANO DE FALSOS POETAS QUE COPIAM E CRIAM O QUE NÃO É NEM POESIA NEM LITERATURA. PARABENS POR SUA SENSIBLIDADE E POR COLOCAR EM PALAVRAS SENTIMENTOS E EMOÇÕES RARAS E ESPECIAIS. DO AMIGO ROBERTO ROMANELLI MAIA

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    1. Roberto, agradeço de coração pela generosidade de suas palavras.
      Abraços, amigo.

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  25. Todos sabem que há no chamado “meio literário” a contracorrente linguística (um certo desvio na estrutura da língua portuguesa) de chamar poetisas de qualidade de "poeta", pondo o termo como comum de dois gêneros (muito provavelmente partindo do famoso poema de Cecília Meireles, em que ela se diz poeta). Mas isso, a meu ver, se deve simplesmente à característica masculina do idioma: quando dizemos “Todo homem é igual em direitos e obrigações”, abarca-se homens e mulheres. Entretanto, fazer o quê? Tende-se à divisão “mulher poeta” e a simples “poetisa”, esta última como sendo qualquer mulher poetastra.

    Esta breve introdução, faço-a despretensiosamente, sem obviamente o desejo de ir fundo na questão; é somente para dizer o seguinte sobre Márcia Sanchez Luz:

    Ela é POETA: pois primeiro arquiteta a si e ao mundo utilizando-se de projetos inteligentes, refletidos, estando acima da questão controvertida acima disposta – pois que hoje sabemos valer verdadeiramente a capacidade profissional da pessoa, não importando se é homem ou mulher; depois, Márcia edifica a verdadeira poesia com materiais-palavras de construção de qualidade e fortaleza; e então, por final, para e mira sua obra, a flertar com a excelência que os gênios da arte exibem com naturalidade.

    Mas Márcia também é POETISA, sim, a quebrar o paradigma das tendências ordinárias e superficiais, por ser ela toda feita de feminilidade, mas de feminilidade séria, não piegas, exacerbando da sensibilidade própria das mulheres fêmeas na alma, e que não têm medo de mostrar isso a quem quer que seja. Assume o risco por saber quem é e a que veio, por estar completa em si, no âmago, em sua intelectualidade.

    Ao sonetar ininterrupta, digna e belamente, Márcia demonstra-nos, então, como é possível sermos livres diante dos aprisionamentos da vida, a que todos estamos submetidos. Ela consegue transitar plenamente liberta na difícil forma fixa que a espécie de poema que ela mais domina normalmente impõe. Sua poesia tem técnica e sensibilidade, é arquitetura e paixão: por isso Márcia Sanchez Luz é, para mim, POETA e POETISA!

    Fabbio Cortez

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  26. Fabbio, demorei um tanto a responder porque fiquei (ainda estou) de queixo caído e extremamente comovida com suas palavras. Só tenho a lhe agradecer por esta demonstração de carinho, pela gentileza de seu texto, por tornar meu dia ainda melhor. São pessoas como você que fazem a diferença nesta vida! Obrigada, do fundo do coração!
    Em tempo: pretendo, logo no começo da semana, publicar seu texto no Repercussão Literária, não como comentário, mas como postagem.

    Afetuoso abraço

    Márcia

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