Editora Protexto lança "Porões Duendes", segundo livro de Márcia Sanchez Luz, com prefácio de Leila Míccolis
Devemos ler “Porões Duendes” porque a autora, Márcia Sanchez Luz, é visceralmente poeta. E como todo poeta, tem o amor como parte integrante de sua alma. Sua inteligência poética está muito acima da média. Sua presença literária ultrapassa fronteiras. Basta ler nas orelhas deste livro suas credenciais extremamente importantes. Ninguém conquista os inúmeros títulos que Márcia amealhou sem um trabalho sério, competente, técnico, paradoxalmente permeado, em sua essência, ao profundo amor que ela generosamente transborda em tudo que faz.
Depois do sucesso do livro “No Verde dos Teus Olhos”, Ed.Protexto, 2007, resolveu alçar vôos mais ousados. Inspirada nos grandes poetas parnasianos, enveredou pela difícil arte da construção de sonetos e o resultado está nas páginas deste “Porões Duendes”, fruto de estudo, dedicação, esforço e principalmente do imenso talento literário, orgulho de todos que têm o privilégio de conhecer sua obra.
Airo Zamoner - Editor
terça-feira, 25 de novembro de 2008
Novo livro de Márcia Sanchez Luz
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Carlos Drummond de Andrade
© Carlos Drummond de Andrade
Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra, que todas me convêm.
As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.
Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporam
ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinícius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.
São todos meus irmãos, não são jornais
nem deslizar de lancha entre camélias:
é toda a minha vida que joguei.
Estes poemas são meus. É minha terra
e é ainda mais do que ela. É qualquer homem
ao meio-dia em qualquer praça. É a lanterna
em qualquer estalagem, se ainda as há.
– Há mortos? há mercados? há doenças?
É tudo meu. Ser explosivo, sem fronteiras,
por que falsa mesquinhez me rasgaria?
Que se depositem os beijos na face branca, nas principiantes rugas.
O beijo ainda é um sinal, perdido embora,
da ausência de comércio,
boiando em tempos sujos.
Poeta do finito e da matéria,
cantor sem piedade, sim, sem frágeis lágrimas,
boca tão seca, mas ardor tão casto.
Dar tudo pela presença dos longínquos,
sentir que há ecos, poucos, mas cristal,
não rocha apenas, peixes circulando
sob o navio que leva esta mensagem,
e aves de bico longo conferindo
sua derrota, e dois ou três faróis,
últimos! esperança do mar negro.
Essa viagem é mortal, e começá-la.
Saber que há tudo. E mover-se em meio
a milhões e milhões de formas raras,
secretas, duras. Eis aí meu canto.
Ele é tão baixo que sequer o escuta
ouvido rente ao chão. Mas é tão alto
que as pedras o absorvem. Está na mesa
aberta em livros, cartas e remédios.
Na parede infiltrou-se. O bonde, a rua,
o uniforme de colégio se transformam,
são ondas de carinho te envolvendo.
Como fugir ao mínimo objeto
ou recusar-se ao grande? Os temas passam,
eu sei que passarão, mas tu resistes,
e cresces como fogo, como casa,
como orvalho entre dedos,
na grama, que repousam.
Já agora te sigo a toda parte,
e te desejo e te perco, estou completo,
me destino, me faço tão sublime,
tão natural e cheio de segredos,
tão firme, tão fiel... Tal uma lâmina,
o povo, meu poema, te atravessa.
sábado, 25 de outubro de 2008
Poetrix
domingo, 12 de outubro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
De Musas e Colombinas...
Tela de Di Cavalcanti
Quero viver neste mundo
como quem vive um só dia:
cada fração de segundo,
fugaz como a estrela-guia.
Não sei se o solo é fecundo,
nem se a noite se atavia.
Porém sigo e me aprofundo
no sentir que me alicia.
Do pranto que me entristece
sugo as lágrimas que correm
dos olhos de um querubim.
Já do canto que enternece
sorvo as delícias que escorrem
de um coração arlequim.
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Se Minha Fosse Essa Rua

Também não a asfaltaria...
Faria dela um abrigo
Pra chuva nela cair
Molhando a terra saudosa
De verdes gramas que emanam
Perfume que ninguém faz.
Se minha essa rua fosse
Seria ela um caminho
De encanto, luz e magia
Aos que procuram a calma.
O som do silêncio seria
Um mantra entoando carícias
Nas almas em busca de paz.
© Márcia Sanchez Luz
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Mona Dorf entrevista Márcia Sanchez Luz
No próximo dia 29 de agosto, sexta-feira, será transmitida a entrevista que concedi à Mona Dorf, do Jornal O Estado de São Paulo. A entrevista irá ao ar entre 11h30 e meio dia pela Rádio Eldorado AM 700 kHz. Entretanto, acredito que só a cidade de São Paulo consiga sintonizar nesta rádio. De qualquer modo, a mesma ficará armazenada no portal do Estadão nos links de podcast:
E também poderá ser ouvida em:
Neste caso, basta clicar em meu nome e, então, em "ouvir a entrevista".
sábado, 16 de agosto de 2008
Dorival Caymmi vai deixar saudades...
Morreu na manhã deste sábado, no Rio de Janeiro, o cantor e compositor Dorival Caymmi. O músico, que tinha 94 anos, sofreu insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos. Caymmi faleceu por volta das 6h.
Leia mais
Algumas de suas composições:
Canção da Partida
Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer.
O Bem do Mar
O pescador tem dois amor
Um bem na terra, um bem no mar
O bem de terra é aquela que fica
Na beira da praia quando a gente sai
O bem de terra é aquela que chora
Mas faz que não chora quando a gente sai
O bem do mar é o mar, é o mar
Que carrega com a gente
Pra gente pescar.
Marina
Marina morena Marina você se pintou
Marina você faça tudo
Mas faça o favor
Não pinte este rosto que eu gosto
Que eu gosto e que é só meu
Marina você já é bonita
Com o que Deus lhe deu
Já me aborreci, me zanguei
Já não posso falar
E quando eu me zango, Marina
Não sei perdoar
Eu já desculpei tanta coisa
Você não arranjava outro igual
Desculpe Marina, morena
Mas eu tô de mal, de mal com você
De mal com você.
domingo, 3 de agosto de 2008
Ao Te Conhecer...

Ao te conhecer
fiz meu coração
debulhar razões
pra tudo entender.
Pouco conhecia
desse lado meu,
de aceitar malícias
onde eu não veria...
Como num segundo
vi-me acorrentada
a teus pensamentos...
intensos segredos!
Ou será que eram
sentimentos meus?
Talvez fossem mesmo
ardentes desejos
que eu, de tola e ingênua
não queria ver.
© Márcia Sanchez Luz
sexta-feira, 18 de julho de 2008
Menção Honrosa em Concurso da UBT

quinta-feira, 10 de julho de 2008
Escrever

é contar a si próprio o que bem sabe,
mas que aflige demais! Por ser tão louco,
faz que a alma, em torpor, logo desabe.
É cruel falar sobre o que machuca!
Mais cruel, entretanto, é não sentir
o que a vida oferece: pura luta
entre o ser complacente e o insurgir.
Se escrever é dar forma a certa ausência
na calada da noite ou mesmo dia,
vou seguir exaurindo a desavença.
Eis portanto o que faz a diferença
entre aquele que vive e contagia
e o que não sente a vida assim intensa.
© Márcia Sanchez Luz
domingo, 22 de junho de 2008
Crenças Seculares

A história de uma noite afoita, amor,
não cala no silêncio acolhedor.
O que provoca a dor sem rendição
é o corpo em transe tal camaleão.
Não vou fazer de mim seja o que for
para agradar-te em cena e aí compor
uma mentira vil em comunhão
com teus desejos sempre em compulsão.
Mas não te assustes não, se me encontrares
ferindo crenças ditas seculares;
nada no mundo impede alguém de ser.
Serei assim enquanto houver luares
norteando os passos, sonhos e lugares
que eu possa ainda um dia conhecer.
© Márcia Sanchez Luz
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Leila Míccolis no Palácio Gustavo Capanema
DECADENTISMO, BELLE ÉPOQUE, MÁSCARAS E PROVOCAÇÕES AMANHÃ NO RIO
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Homenagem a Fernando Pessoa

Hoje, em Blocos Online, soneto de Márcia Sanchez Luz a Fernando Pessoa, em homenagem aos 120 anos de seu nascimento.


