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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Canção noturna


© Márcia Sanchez Luz



(Img: Moça dormindo, de João Werner)


Não quero mais que digas ter amor
por mim, quando bem sei que só me queres
para enfeitar teu corpo com prazeres
que ao fim me causam sofrimento e dor.

Não quero estar contigo e meu frescor
te dar inteiro. Eu sinto que me feres
porque desejas mais de mil mulheres
por garantia, para o teu louvor.

Esquece o que vivemos, eu te peço!
Foi tudo uma ilusão desenfreada
que agora finda e a paz é o meu ingresso

à vida que me espera mais ousada.
Isto é o que pagas pelo desapreço,
por me fazer chorar de madrugada.

sábado, 11 de setembro de 2010

Ser(afim) - Soneto de Márcia Sanchez Luz


Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.
(Arthur da Távola)






 




Deep In The Woods - Inga Nielsen


Quem encontra um Ser(afim)
tem na vida um anjo raro.
É feito do mesmo barro
com que Deus faz seu jardim.

Ele é todo de jasmins,
brota água fresca do jarro
que enfeita o que sempre é caro
aos olhos de um Querubim.

É bem difícil achar
no meio da multidão
um ser assim singular!

Há que segurar-lhe a mão,
fazer carinho, mimar
e agradar seu coração.

© Márcia Sanchez Luz

sábado, 7 de agosto de 2010

PARA UM PAI, QUE É MEU SONETO VIVO


Horseman - Wassily Kandinsky


Meu pai, o teu carinho é sempre alento
para que eu creia um pouco mais na vida,
no humano ser que neste mundo habita
e tantas coisas faz sem cabimento.

Nunca te faltam sábios argumentos
para deixar-me calma, quando aflita,
me perco em meio à dor de uma ferida
que insiste em maltratar meu pensamento.

E quando chega o medo a ti recorro
(com teus conselhos sinto-me amparada)
para guiar-me os passos intrincados

na trilha solitária que percorro.
Hoje o que peço, pai, é quase nada:
deixa eu te ter pra sempre do meu lado!

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Mascaradas



Não há porque cobrar de ti, amor,
o que tampouco posso dar de mim.
Posso porém pedir, veja-me assim
como semente forte em viço e cor

a alimentar teus sonhos de Pierrô,
quem sabe até quimeras de Arlequim
(todo vestido em tiras de cetim)
que após sorver um gole de licor

recobra forças antes escondidas
e vai atrás da amada Colombina
pra declarar, mesmo em total silêncio,

o afeto que era febre adormecida
(por falta de uma antiga lamparina)
e que hoje queima feito fogo intenso.

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ser Mãe...


Mãe e Filho - Gustave Klimt

Ser mãe é ser alguém que na alvorada
bendiz o brilho que anuncia o dia
trazendo a luz do sol em sintonia
com o burburinho de uma passarada.

Ser mãe é ser a doce madrugada
que põe um fim à mágoa doentia;
é ser também a força da magia
curando a febre que se faz calada.

Ser mãe é buscar sempre uma saída
para acalmar o coração inquieto
do filho que se fecha em seu afeto.

Ser mãe é estar atenta para a vida,
é ver além do amor que não deu certo,
fazendo de sua cria um ser liberto.

© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O Outono


Giardino Autunnale - Van Gogh

O outono é como o vento em arrelia
tentando na manhã fazer alarde;
provoca um som que varre o fim da tarde
e não descansa quando acaba o dia.

O outono chega, avisa e principia
uma partida em que se vê, covarde,
a consciência da maturidade
sendo trocada pela hipocrisia

que degenera o ser em vital ciclo
e destempera a vida em plena lida
em busca de alegria desvalida.

O outono é folha morta em fim de ciclo,
é o tempo que passou em cada vida,
e tem o tom mordaz da despedida.


© Márcia Sanchez Luz

sábado, 20 de março de 2010

Soneto para o Dia Mundial da Poesia*


Poesia


Ninfa - João Werner


Vem pra cá, minha Poesia!
Diz o que devo fazer
durante estas noites frias,
quando é difícil viver!

Traz de volta o som que havia
nas notas do alvorecer,
nos semitons de outros dias
que me faziam vencer

manhãs de rondas infindas
(entre emoções e razões)
dentro de meu existir.

E assim o dia que brindas
será de intensas paixões
num corpo inteiro a sorrir.

© Márcia Sanchez Luz



*21 de março é a data decretada pela UNESCO para comemorar o Dia Mundial da Poesia.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Insensatez


Birth of Love - Vladimir Kush

Em mim desenhas ilusões sonhadas
e fazes das manhãs sazões infindas;
são primaveras dando as boas-vindas
às aves no horizonte emolduradas.

Por quais razões me acenas e me brindas
com teu olhar no céu – visões aladas?
Por que motivo as asas são cortadas
e as ilusões descobrem-se então findas?

Preciso achar um rumo diferente!
De insensatez ou de esperança ausente
o mundo está repleto, é dor sem fim.

Se eu descobrir na vida, finalmente,
o avesso da maldade (amor que ascende),
talvez eu possa a paz trazer enfim.

© Márcia Sanchez Luz

sábado, 16 de janeiro de 2010

Atitude - Soneto de Márcia Sanchez Luz



Não gosto de falar do que é banal
nem sei gostar do paladar imposto
(que altera a face do sabor composto
da vida em sua forma natural).

Não gosto de falar do que é causal
se não puder sanar o mal exposto;
nutrir a dor que transfigura o rosto
é perigoso, além de irracional.

Na vida busco sempre alternativas
que me assegurem o pulsar das veias
e me garantam sobras, se à deriva.

Assim o vento chega como brisa,
a dor imensa fica suportável
e a causa do tormento se ameniza.


© Márcia Sanchez Luz

sábado, 12 de dezembro de 2009

Presente de João Justiniano da Fonseca


Nosso Contrato.

Renove-se este contrato,
por todo o dois mil e dez.
Juros contados, de fato,
doze meses, mês a mês.

Sejas grata e eu seja grato
Ao zero nove, uma vez
que à farta nos trouxe o prato
o afeto, e amigos nos fez.

Ricos juros de amizade,
zero, ponto, querer bem,
até ao meu fim de idade...

Quando eu partir, eis, vê bem,
guardarás minha saudade
por todo o teu tempo. Amém!


João Justiniano da Fonseca
11 de dezembro de 2009

João, querido amigo, obrigada pelo lindo e carinhoso presente em forma de soneto. Saiba que tocou fundo meu coração.
Como falei por email, gosto de guardar a saudade enquanto a vida corre em nossas veias...

Márcia

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Para lembrar o que não houve


Fonte: Google

Em dois minutos de magia pura
cantamos juntos versos ao luar.
Você jurava que o dia a chegar
seria para nós a partitura

do amor infindo (laço que perdura)
da noite eterna feita pra abrigar
os sonhos nossos de nunca adiar
as tardes calmas, cheias de ternura.

Por que não se tornaram realidade
os nossos sentimentos e desejos
cantados em total cumplicidade?

Os dois minutos de felicidade
deram lugar a pálidos tracejos
do que seria vida e hoje é saudade.

© Márcia Sanchez Luz

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sonhos

Homenagem a Miguel Russowsky e Mercedes Sosa


Imagem do Google

A rotina me assusta e desencanta,
faz meus sonhos dormirem sem cessar.
E quando chega a noite a me assombrar,
meus pesadelos o temor levanta.

Faço de conta que chorar adianta
e que é melhor estrelas eu contar:
deitada fecho os olhos, tomo ar...
consigo ver Castor que se agiganta

e me encoraja a crer que inda é possível
mudar o rumo de uma noite triste
porque a esperança é luz que não desiste.

O dia acorda e a estrela inda é visível,
pois que seu brilho a toda dor resiste
trazendo, à vida, o sonho que persiste.


© Márcia Sanchez Luz



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cicatrizes



O que foi dito, amor, já está guardado,
virou história que magoa em vão.
E se as palavras voam, na emoção
meu coração pranteia, amargurado.

O que ficou no meu sentir gravado
é pensamento em plena ebulição
que nem por força, nem por ablação
consegue reduzir o desagrado.

Pro que foi dito não há mais remédio,
pois que o elixir que abranda não demove
o mal que me causaste - que agonia!

E se o perdão aliviasse o tédio
que sinto (mesmo que da dor só prove)
estejas certo, é tudo o que eu faria!


© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vida


Imagem do Google


Se digo que pra tudo há recomeço
e que a tristeza um dia se desfaz,
é porque o inverno, triste cinza-espesso,
a luz da primavera em si já traz.

Se calo-me e da dor não me despeço
e não censuro o sonho (que é fugaz),
é porque guardo a noite em mim, confesso,
pois nela eu sinto que sou mais capaz.

Fico em silêncio em meio aos meus segredos
enquanto a lua se despede aos poucos
e dá lugar ao sol e seus enredos.

Pairam no ar sementes de verão!
E verdejantes são as suas folhas,
valentes como o dom da floração!


© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Bilhete de Julieta


Foto: Márcia Sanchez Luz

Por que você partiu sem me contar
que o fim estava próximo e que nós
não poderíamos nos ver após
a cotovia, lúgubre, cantar?

Não foi de fato amor de acarinhar,
nem foi de fato amar de amor feroz.
Da forma como veio, assim veloz,
partiu e me deixou sem me acordar.

E agora o que fazer sem seu carinho
para acalmar a febre em sonhos meus?
Não quero mais ninguém em nosso ninho.

Eu sei - a vida é assim -, dirá quem ler,
mas não sei mais o que fazer, meu Deus!
Como é difícil deste amor morrer!

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Laços Lassos



Fotografia de Christian Coigny

Não quero mais teu corpo a me tocar
pois que já mal decifro o que estas mãos
me dizem quando ponho-me a te olhar
e não descubro nelas afeição.

Não posso com teu corpo concordar
e me fingir ausente em sins e nãos;
isto seria o mesmo que negar
que ao lado teu não vejo solução.

Aí me pego aflita, em mil pedaços
e me distraio quando escrevo um verso
que me responde (meio de tropeço)

o que já sei de nossos laços lassos.
Agora entendes o meu ser disperso?
É a solidão a reclamar seu preço.


© Márcia Sanchez Luz


quarta-feira, 22 de abril de 2009

Beijo Diferente


Tela de Salvador Dalí

Quero te dar um beijo diferente,
um beijo de verdade, pra corar-te;
um beijo intenso, feito beijo d’arte,
que marque o coração eternamente.

Quero te dar um beijo tão ardente,
que nem que vás pra longe, para Marte,
dele te esqueças e jamais te fartes
de mim e deste amor por ti, crescente.

Que seja um beijo mais do que faceiro,
travesso como um pássaro altaneiro
alçando voos pelo azul celeste.

E que este beijo seja companheiro
eterno e terno, pois que mensageiro
do afeto, do carinho que me veste.

© Márcia Sanchez Luz

terça-feira, 14 de abril de 2009

Nascer



Nascer não é tão fácil, te garanto,
pois que sair à luz do mundo é trauma
e nem a mais afável mãe acalma
o susto de encarar o novo em pranto.

Nascer é como a dor do fim do encanto
de se encontrar feliz em água calma
e se saber também nutrido em alma
por quem encontra sempre um novo canto

de proteção eterna, amor seguro.
Mas se nascer é assim tão enfadonho,
viver na solidão não muda a sorte.

Da luz interna, mesmo que no escuro,
saímos para a luz que ofusca o sonho.
Nascer é tão difícil, beira a morte!

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 20 de março de 2009

Melodia para "O amor no sonho"


Soneto "O amor no sonho", de Márcia Sanchez Luz, ganha melodia do compositor Cardo Peixoto

Para ouvir a canção, clique no título do soneto ou no "player" à direita desta página.

sábado, 14 de março de 2009

O amor no sonho



Imagem do Google

O amor é tão perfeito quando durmo,
que mal me dá vontade de acordar!
Mas não tem jeito – o dia vem soturno
e o sonho acaba. É duro acreditar.

O amor no sonho é como o deus Saturno,
num farto, afoito e intenso festejar;
o adeus ao laço – algoz e taciturno –
que avilta, agride e evita o libertar.

O amor de sonho é sempre um aconchego;
permite ao colibri (que não descansa)
um beijo à flor que finge desapego.

Amor assim é sábado constante;
acalma o que guardado a dor alcança
e afasta a realidade lancinante.

© Márcia Sanchez Luz