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sábado, 30 de novembro de 2013

Seiva Fátua

© Márcia Sanchez Luz














(Img: Lucidez I, Gustavo Saba)


Eu te agradeço porque me cedeste
o corpo inteiro numa entrega mútua,
em que o prazer em sua forma agreste
rompeu de nossos corpos seiva fátua.

Insana gratidão a que me presta!
Pois se foi mútua, por que agradeceste?
Nesta paixão arrebatada e farta
não tem calor que não se manifeste!

Mas assim mesmo eu quero te dizer
que pude ser teu rei e teu vassalo
no instante em que tu foste minha amante.

Que seja então prazer a florescer
dentro de nossas almas! O que exalo
é fruto deste amor inebriante.



(Do livro “Porões Duendes”)


sábado, 28 de julho de 2012

Do que fiz

© Márcia Sanchez Luz



(Img: Márcia Sanchez Luz)


















Eu fiz de teu sonhar um doce afago
e sempre que me atrevo acho morada
para guardar o afã que, sem pecado,
me assusta e de meu medo faz cilada.

Eu fiz de teu sonhar meu aliado
para entender a dor desarrumada
e sufocar o pranto num bailado
de sóis atrás da lua enamorada.

De ti fiz meu maior e eterno abrigo
(alento que me acaricia o sonho
e mostra o norte quando estou à morte.)

Com teu afago não corro perigo,
pois sei que ao lado teu me recomponho
e vou em frente, cada vez mais forte.


(Do Livro "Porões Duendes") 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Flor Anciã - soneto de Márcia Sanchez Luz

© Márcia Sanchez Luz


(Img: Eros e Psique - Antônio Canova)





















Espero-te em meu barco de manhã,
depois que a brisa e o canto se encontrarem
e te contarem sobre a flor anciã,
que fez meus olhos toda a dor secarem.

Espero-te em silêncio, no amanhã,
depois que a sombra fria e o ardor findarem.
E que tu venhas me encontrar, Titã,
mesmo se sol e lua te ofuscarem.

Então eu poderei de amor falar!
E nem que seja só por um instante,
bastar-me-á que saibas me escutar.

E vais me compreender e me beijar!
Da flor anciã guardei esta semente,
para que sintas Eros te embalar.

*Do livro "Porões Duendes"