segunda-feira, 23 de março de 2009

Posse na Academia de Letras do Brasil


É a primeira vez que sou empossada em uma Academia de Letras, motivo de felicidade e de júbilo para mim, por considerar muito importante o reconhecimento do esforço, dedicação e amor que uma escritora possui pelo seu ofício. Estou certa de que todos os meus amigos vibrarão comigo e por isso quero compartilhar este instante de extrema alegria com eles e com todos os que sabem avaliar o valor de um momento como este na vida de alguém que ama e se dedica à Literatura Brasileira.




Defesa:

Apresentamos e defendemos, junto aos escritores Membros da Academia de Letras do Brasil, a Imortal Escritora Márcia Sanchez Luz. Por força e mérito de sua expressão literária, após profundas investigações, curvamo-nos ao seu talento e irrefutável arte literária. Sua escrita é digna de representar com excelência a literatura brasileira. (Mário Carabajal).


sexta-feira, 20 de março de 2009

Melodia para "O amor no sonho"


Soneto "O amor no sonho", de Márcia Sanchez Luz, ganha melodia do compositor Cardo Peixoto

Para ouvir a canção, clique no título do soneto ou no "player" à direita desta página.

sábado, 14 de março de 2009

O amor no sonho



Imagem do Google

O amor é tão perfeito quando durmo,
que mal me dá vontade de acordar!
Mas não tem jeito – o dia vem soturno
e o sonho acaba. É duro acreditar.

O amor no sonho é como o deus Saturno,
num farto, afoito e intenso festejar;
o adeus ao laço – algoz e taciturno –
que avilta, agride e evita o libertar.

O amor de sonho é sempre um aconchego;
permite ao colibri (que não descansa)
um beijo à flor que finge desapego.

Amor assim é sábado constante;
acalma o que guardado a dor alcança
e afasta a realidade lancinante.

© Márcia Sanchez Luz

segunda-feira, 9 de março de 2009

Bosconeana, de Alvaro Cueva

A gaveta que abri
Me abriu a ferida
Restos guardados
Poeira da vida
Ah, é só isso que dá
Freqüentar meu passado

Num papel de cigarro
A promessa indevida
Fica estranho pensar
Que hoje é o resto da vida
Ah, tua sombra lilás
Meu olhar desbotado

A foto apagada
A carta escondida
O ano na agenda
A flor esquecida
A caixa do nosso bombom
O velho cobertor

Uma concha vulgar
Lembra a praia perdida
O teu sabor de sal
Uma onda bem-vinda
Ah, ainda gosto do mar
Ah, ainda gosto um bocado
Fecho a gaveta verdade
Tranco a dor que há em mim

Ah, ainda o gosto do mar
Ah, ainda gosto um bocado
Já que eu não mato a saudade
Vou fazê-la dormir

Álvaro Cueva - Compositor,sócio do Clube Caiubí de Compositores, lançou em 2005 seu primeiro álbum independente, 'Canabi Emotiva', com participação de Alexandre Cueva, Zé Rodrix, Toninho Ferragutti, Proveta e Marcelo Pretto, entre outros. Em 1989 lançou, junto com a Banda Rés o LP Rés Derelictae, com várias de suas composições. Participou de vários Festivais (Tatui, Avaré, Carrefour, Projeto Nascente - USP etc.). Formou-se em Artes Cênicas, tendo na teatralidade de suas canções uma das características mais marcantes de seu trabalho.

http://clubecaiubi.ning.com/profile/alvarocueva

Contato:
(11) 8359-7796
alvarocueva@gmail.com

(Publicado com a autorização do compositor)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Lua Negra

© Márcia Sanchez Luz


Img: Márcia Sanchez Luz























Amo demais que até ferida brota
na cálida, escondida lua negra
dos meus delírios (dor que desintegra
calma desnuda em chuva de gaivota).

Os olhos choram mares, geram grotas,
fabricam densa nuvem que se integra
ao corpo equivocado pela entrega
sofrida num adeus desfeito em gotas.

Amo demais, eu sei, mas o que faço
se de outro jeito não conheço o amor?
A minha sina é nunca combater

o que me atrai e gera descompasso.
Se por um lado existe o dissabor,
tenho da vida a flor que vi nascer.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Dor Silente


Imagem do Google

Vivemos nosso amor estranhamente,
como crianças que no olhar se afagam
e se entretêm em sons e ali propagam
a lente do querer de antigamente.

Vivemos neste amor a dor silente:
desejos feito barcos que naufragam
tal como sonhos que no fim deságuam
na imensidão do mar ambivalente.

Amamos como dois mandarins novos,
com flores perfumando sonhos nossos
e nos trazendo o som da valsa eterna.

E deste amor que atrai e não descasa
irei guardar o afeto que extravasa
pureza do sentir que desgoverna.

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Infinda Solidão


Il Bacio - Gustave Klimt


Por quem me tomas quando o amor que sinto
da carne dista, é sensação do peito?
O anseio que me assola é puro instinto
guardado no sonhar sem preconceito.

Por quem me tomas neste labirinto
de dor e medo e cheio de defeito?
O meu sentir não pode ser extinto
por conta de um conflito sem efeito.

Por ora busco alguma direção
para aquietar-me a mente tão doída
que só concebe o que não tem razão.

Se eu não achar porém explicação
passível de curar esta ferida,
me entregarei somente à solidão.

© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Celine Dion - Happy Christmas (War Is Over)

Deixo aqui meu desejo de que o seu Natal, junto à sua família, seja de muita paz, saúde, amor e luz! E que o ano que se inicia possa ser mensageiro de uma nova era, onde as pessoas entendam o real significado da vida e da convivência.

E que a Paz possa reinar em todos os corações!


Márcia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Sessenta Anos dos Direitos Humanos em Ecos da Poesia


Deixo um convite para que visite o site do Grupo Ecos da Poesia e veja o belíssimo trabalho feito por seus dirigentes para comemorar os sessenta anos dos Direitos Humanos. Basta um clique na imagem abaixo.



sábado, 6 de dezembro de 2008

Thiago de Melo - Os Estatutos do Homem


Thiago de Melo
[Embajador Honorario de Poetas del Mundo para el Mundo]


Os Estatutos do Homem
[Ato Institucional Permanente]
A Carlos Heitor Cony

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Santiago do Chile, abril de 1964

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Novo livro de Márcia Sanchez Luz


Editora Protexto lança "Porões Duendes", segundo livro de Márcia Sanchez Luz, com prefácio de Leila Míccolis




Devemos ler “Porões Duendes” porque a autora, Márcia Sanchez Luz, é visceralmente poeta. E como todo poeta, tem o amor como parte integrante de sua alma. Sua inteligência poética está muito acima da média. Sua presença literária ultrapassa fronteiras. Basta ler nas orelhas deste livro suas credenciais extremamente importantes. Ninguém conquista os inúmeros títulos que Márcia amealhou sem um trabalho sério, competente, técnico, paradoxalmente permeado, em sua essência, ao profundo amor que ela generosamente transborda em tudo que faz.
Depois do sucesso do livro “No Verde dos Teus Olhos”, Ed.Protexto, 2007, resolveu alçar vôos mais ousados. Inspirada nos grandes poetas parnasianos, enveredou pela difícil arte da construção de sonetos e o resultado está nas páginas deste “Porões Duendes”, fruto de estudo, dedicação, esforço e principalmente do imenso talento literário, orgulho de todos que têm o privilégio de conhecer sua obra.

Airo Zamoner - Editor

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Carlos Drummond de Andrade


Consideração do Poema

© Carlos Drummond de Andrade


Imagem do Google

Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra, que todas me convêm.
As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.

Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporam
ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinícius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.
São todos meus irmãos, não são jornais
nem deslizar de lancha entre camélias:
é toda a minha vida que joguei.

Estes poemas são meus. É minha terra
e é ainda mais do que ela. É qualquer homem
ao meio-dia em qualquer praça. É a lanterna
em qualquer estalagem, se ainda as há.
– Há mortos? há mercados? há doenças?
É tudo meu. Ser explosivo, sem fronteiras,
por que falsa mesquinhez me rasgaria?
Que se depositem os beijos na face branca, nas principiantes rugas.
O beijo ainda é um sinal, perdido embora,
da ausência de comércio,
boiando em tempos sujos.

Poeta do finito e da matéria,
cantor sem piedade, sim, sem frágeis lágrimas,
boca tão seca, mas ardor tão casto.
Dar tudo pela presença dos longínquos,
sentir que há ecos, poucos, mas cristal,
não rocha apenas, peixes circulando
sob o navio que leva esta mensagem,
e aves de bico longo conferindo
sua derrota, e dois ou três faróis,
últimos! esperança do mar negro.
Essa viagem é mortal, e começá-la.
Saber que há tudo. E mover-se em meio
a milhões e milhões de formas raras,
secretas, duras. Eis aí meu canto.

Ele é tão baixo que sequer o escuta
ouvido rente ao chão. Mas é tão alto
que as pedras o absorvem. Está na mesa
aberta em livros, cartas e remédios.
Na parede infiltrou-se. O bonde, a rua,
o uniforme de colégio se transformam,
são ondas de carinho te envolvendo.

Como fugir ao mínimo objeto
ou recusar-se ao grande? Os temas passam,
eu sei que passarão, mas tu resistes,
e cresces como fogo, como casa,
como orvalho entre dedos,
na grama, que repousam.

Já agora te sigo a toda parte,
e te desejo e te perco, estou completo,
me destino, me faço tão sublime,
tão natural e cheio de segredos,
tão firme, tão fiel... Tal uma lâmina,
o povo, meu poema, te atravessa.

sábado, 25 de outubro de 2008

Poetrix


Na Luz



Na luz de teus sorrisos
Surgem plêiades travessas
Que atravessam meu astral.

© Márcia Sanchez Luz