terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Fortaleza


Don Quixote - Salvador Dalí

Se no destino há tristeza,
de encontro às pedras, eu sigo,
construindo a fortaleza
que me servirá de abrigo.

© Márcia Sanchez Luz

sábado, 16 de janeiro de 2010

Atitude - Soneto de Márcia Sanchez Luz



Não gosto de falar do que é banal
nem sei gostar do paladar imposto
(que altera a face do sabor composto
da vida em sua forma natural).

Não gosto de falar do que é causal
se não puder sanar o mal exposto;
nutrir a dor que transfigura o rosto
é perigoso, além de irracional.

Na vida busco sempre alternativas
que me assegurem o pulsar das veias
e me garantam sobras, se à deriva.

Assim o vento chega como brisa,
a dor imensa fica suportável
e a causa do tormento se ameniza.


© Márcia Sanchez Luz

sábado, 2 de janeiro de 2010

Carinho literário de Clevane Pessoa


Poemeto

Seja sempre iluminada e iluminadora:
A Luz do sobrenome
seja capaz de iluminar
todos os dias e sonhos das noites
desse seu novo ano...
Brilhe seu nome,
suas poesias
de sua POIESIS,
alumiem-se suas asas para muitos vôos..

Clevane Pessoa, para Márcia Sanchez Luz.


Clevane querida, obrigada pelo delicioso carinho literário! Começar o ano assim é motivo de grande alegria para mim.

Um beijo carinhoso,

Márcia

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Feliz ano 2500


Igor Fuser*

Neste novo ano de 2500 já não há exploração e opressão de um ser humano por outro. Já não existem diferentes classes sociais. Somos todos iguais. Não há mais divisão entre povos, nações e raças. Não existe racismo, preconceito, intolerância, xenofobia, discriminação. Descobrimos que somos todos de uma única raça: a raça humana, vivendo em uma grande e fraterna comunidade global.

Já não existe também a diferenciação de tarefas entre sexos e a opressão sobre as mulheres e as minorias. Homens e mulheres estabeleceram um pacto de absoluta igualdade. Além disso, todos têm direito de fazer livremente suas escolhas individuais, mas aprenderam a voluntariamente respeitar a opinião coletiva.

A última guerra foi antes de 2050, nem lembramos mais como fazê-la, até porque as armas foram destruídas. Até o século XXI, alguns homens chamavam de bárbaros todos aqueles que não acompanharam seu modelo de sociedade assentado na desigualdade e na ganância. Contudo, com suas bombas, sua violência, suas matanças em massa, conseguiam superar em bestialidade seu mais rude antepassado. Hoje, no entanto, reina a paz. Os homens se convenceram de que a sobrevivência da civilização dependia da cooperação e não da competição.

Aqui em 2500 já não temos mais fome, miséria, gente sem teto ou sem assistência, lutando por um prato de comida, por um simples casaco para se agasalhar, um buraco para viver ou dormir, uma vaga na escola; enfim, o homem se libertou da milenar ditadura do reino da necessidade, da escassez. Todos ajudam a todos.

É que a ciência, a tecnologia e a racionalização da produção avançaram a tal ponto que possibilitaram o atendimento de todas as necessidades humanas, com uma grande redução do tempo de trabalho para todos, que agora podem se dedicar a coisas mais nobres, como a educação, a leitura, a música, o cinema, o teatro, os amigos etc. São poucos os que não concluem a universidade.

E tudo isso foi possível sem violentar mais a Natureza e preservando as demais formas de vida no planeta. Descobrimos todos que não estamos sozinhos na Terra e que não temos o direito de destruir, unicamente para nossa satisfação, as demais espécies, muitas das quais estavam aqui bem antes de nós.

As fábricas, os automóveis, os aviões, hoje mais eficientes, já não poluem. A época na qual predominavam os combustíveis fósseis acabou faz tempo. Na verdade, preferimos mesmo é andar nos eficientes e limpos transportes coletivos e caminhar sob a copa das árvores para ir ao trabalho ou à escola. O ar é tão puro que até vemos as estrelas nos céus das grandes cidades.

A população mundial caiu progressivamente desde o ano 2050 e hoje não passa de três bilhões de seres. E como não se produz mais apenas para vender, para obter lucro, mas exclusivamente para atender ao uso humano, já não é preciso desmatar e muitas florestas foram recompostas. Com tudo isso, espécies animais antes ameaçadas de extinção voltaram a ter sua população aumentada. Os peixes retornaram aos rios antes poluídos das grandes cidades.

Aqui em 2500, os velhos valores consumistas do início do milênio foram substituídos por uma cultura diferente, superior, de modéstia e parcimônia. O que move a sociedade humana já não é a busca desenfreada pela riqueza, a ganância, o prestígio, mas sim a solidariedade entre todos e o bem coletivo. Excetuando os artigos de uso pessoal, as residências, os econômicos automóveis, quase toda a propriedade é coletiva. Os seres humanos descobriram que valem pelo que são, pelo que sabem, e principalmente por como tratam seus semelhantes, e não pelo que têm ou vestem.

Em 2500 também não há mais divisão funcional entre aqueles que pensam e decidem e aqueles que apenas cumprem ou executam as tarefas. Não há mais subserviência, medo, nem opressão. Todos decidem em igualdade de condições sobre aquilo que deve produzir ou fazer a sociedade. Até conseguimos viver sem chefes. Existe democracia real, não formal. A tecnologia nos conectou e aproximou a todos. Mesmo a colônia humana estabelecida em Marte tem participado das decisões.

Mas chegar aqui não foi fácil, a luta foi dura, custou muitos sacrifícios e até a vida de muitos. A resistência das forças conservadoras e irracionais foi grande. Até 2050, as guerras, a xenofobia, a forma irresponsável de exploração da Natureza, o aquecimento global, as doenças, o interesse mesquinho das corporações e dos grandes capitais colocou a humanidade à beira da autodestruição, do inferno nuclear, do retorno à barbárie dos guetos, dos campos de concentração, dos gulags.

Escapamos por um triz. Nossa espécie conseguiu derrotar aquelas forças representantes da pré-história e da ignorância humanas, abraçar outros valores e encontrar o caminho até aqui. Evidentemente, além dos conservadores, dos privilegiados, sempre houve os incrédulos, os céticos quanto à possibilidade de um outro mundo.

Felizmente, desde os primórdios da civilização sempre existiu quem defendesse uma cultura diferente. Não sei bem como se chama a sociedade em que vivo, deixo ao leitor dessa mensagem classificar. No entanto, sabemos hoje, em 2500, que sociedade anterior, na qual ainda predominavam o individualismo e o egoísmo, se chamava capitalismo.

Mas foi por volta do ano 2010 que muitos perceberam os perigos, saíram da inação e começaram a ativamente construir um mundo novo, a agir diferente. Por isso, numa máquina do tempo, voltei de 2500 para observar a virada do ano de 2009 para 2010. Era curioso. Ao ritmo do fuso horário, nas cidades em volta do mundo eles explodiam lindos fogos, confraternizavam. No meio de tanta confusão daqueles tempos, aquelas comemorações lembravam que poderíamos um dia ser um único mundo, uma única raça.

Apesar da brutalização do corpo social na época, pude constatar que, em certos momentos, nossos antepassados do século XXI ainda eram capazes de se emocionar, de chorar de alegria, de se encantar, se enternecer. Sem que soubessem de que época eu vinha fui até carinhosamente abraçado por alguns deles que estavam ao meu lado.

Antes regressar ao futuro, ali, numa praia do Atlântico, ofuscado pelos fogos, percebi que o grande projeto humano ainda era viável e como a vida é bela e valiosa. Agradecido a todos aqueles que ajudavam a construir meu belo mundo em 2500, desejei a todos eles um FELIZ 2010.


*Igor Fuser é doutorando em Ciência Política na USP, mestre em Relações Internacionais pelo Programa de Pós-Graduação Santiago Dantas (Unesp, Unicamp e PUC-SP), jornalista formado pela Cásper Líbero e Professor de Filosofia e Economia.


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Poema de Natal


Fonte: Google

Neste Natal quero paz nos corações.
Não aquela paz momentânea, doentia,
que só dura o tempo necessário
para a entrega dos presentes...

Não. Tem de ser eterna
a paz que eu espero!

Ela tem que durar
o tempo da humanidade,
o tempo da liberdade,
a idade da procura
por paz, amor e ventura.

Sim. Tem de ser eterna
a paz que eu espero!

© Márcia Sanchez Luz

sábado, 12 de dezembro de 2009

Presente de João Justiniano da Fonseca


Nosso Contrato.

Renove-se este contrato,
por todo o dois mil e dez.
Juros contados, de fato,
doze meses, mês a mês.

Sejas grata e eu seja grato
Ao zero nove, uma vez
que à farta nos trouxe o prato
o afeto, e amigos nos fez.

Ricos juros de amizade,
zero, ponto, querer bem,
até ao meu fim de idade...

Quando eu partir, eis, vê bem,
guardarás minha saudade
por todo o teu tempo. Amém!


João Justiniano da Fonseca
11 de dezembro de 2009

João, querido amigo, obrigada pelo lindo e carinhoso presente em forma de soneto. Saiba que tocou fundo meu coração.
Como falei por email, gosto de guardar a saudade enquanto a vida corre em nossas veias...

Márcia

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Para lembrar o que não houve


Fonte: Google

Em dois minutos de magia pura
cantamos juntos versos ao luar.
Você jurava que o dia a chegar
seria para nós a partitura

do amor infindo (laço que perdura)
da noite eterna feita pra abrigar
os sonhos nossos de nunca adiar
as tardes calmas, cheias de ternura.

Por que não se tornaram realidade
os nossos sentimentos e desejos
cantados em total cumplicidade?

Os dois minutos de felicidade
deram lugar a pálidos tracejos
do que seria vida e hoje é saudade.

© Márcia Sanchez Luz

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sonhos

Homenagem a Miguel Russowsky e Mercedes Sosa


Imagem do Google

A rotina me assusta e desencanta,
faz meus sonhos dormirem sem cessar.
E quando chega a noite a me assombrar,
meus pesadelos o temor levanta.

Faço de conta que chorar adianta
e que é melhor estrelas eu contar:
deitada fecho os olhos, tomo ar...
consigo ver Castor que se agiganta

e me encoraja a crer que inda é possível
mudar o rumo de uma noite triste
porque a esperança é luz que não desiste.

O dia acorda e a estrela inda é visível,
pois que seu brilho a toda dor resiste
trazendo, à vida, o sonho que persiste.


© Márcia Sanchez Luz



quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Cicatrizes



O que foi dito, amor, já está guardado,
virou história que magoa em vão.
E se as palavras voam, na emoção
meu coração pranteia, amargurado.

O que ficou no meu sentir gravado
é pensamento em plena ebulição
que nem por força, nem por ablação
consegue reduzir o desagrado.

Pro que foi dito não há mais remédio,
pois que o elixir que abranda não demove
o mal que me causaste - que agonia!

E se o perdão aliviasse o tédio
que sinto (mesmo que da dor só prove)
estejas certo, é tudo o que eu faria!


© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vida


Imagem do Google


Se digo que pra tudo há recomeço
e que a tristeza um dia se desfaz,
é porque o inverno, triste cinza-espesso,
a luz da primavera em si já traz.

Se calo-me e da dor não me despeço
e não censuro o sonho (que é fugaz),
é porque guardo a noite em mim, confesso,
pois nela eu sinto que sou mais capaz.

Fico em silêncio em meio aos meus segredos
enquanto a lua se despede aos poucos
e dá lugar ao sol e seus enredos.

Pairam no ar sementes de verão!
E verdejantes são as suas folhas,
valentes como o dom da floração!


© Márcia Sanchez Luz

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Selo Blog de Ouro


O Imaginário recebe, do poeta Daufen Bach,
o selo Blog de Ouro.


Daufen, muito obrigada pelo carinho do presente!


Bom, vamos às regras...

1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 4 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.

E eis os meus indicados:

Coisas do Chico
Cultura Nordestina
Graça Graúna
Links, thinks e things

sábado, 25 de julho de 2009

Trova de Márcia Sanchez Luz


Piedade



Tela: Wassily Kandinsky


Se nem de mim tens piedade
quando em teus braços me queixo,
como saber se é verdade
o sabor daquele beijo?

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Bilhete de Julieta


Foto: Márcia Sanchez Luz

Por que você partiu sem me contar
que o fim estava próximo e que nós
não poderíamos nos ver após
a cotovia, lúgubre, cantar?

Não foi de fato amor de acarinhar,
nem foi de fato amar de amor feroz.
Da forma como veio, assim veloz,
partiu e me deixou sem me acordar.

E agora o que fazer sem seu carinho
para acalmar a febre em sonhos meus?
Não quero mais ninguém em nosso ninho.

Eu sei - a vida é assim -, dirá quem ler,
mas não sei mais o que fazer, meu Deus!
Como é difícil deste amor morrer!

© Márcia Sanchez Luz