Presépio - Michelangelo
Nesta época do ano, como num ritual, todos queremos fazer um balanço de nossas vidas, mesmo sabendo que nada faremos, que tudo continuará igual assim que o Natal e a passagem de um ano para o outro acontecer.
Agimos como se fôssemos instituição bancária, comércio ou empresa – paramos tudo e, mesmo incrédulos com os resultados negativos, comemoramos. Tudo isto é irônico demais!
Está certo que rituais de passagem façam parte de nossa história de vida - eles marcam o fim de uma época e o início de algo desconhecido, que ao mesmo tempo fascina e assusta.
Assim, por que não aproveitamos este momento e refletimos acerca do que fizemos, do que acrescentamos às nossas vidas e à vida de nossos semelhantes? Por que não lutamos para ver nossos sonhos e metas realizadas? Por que, ao invés de pararmos tudo o que estávamos fazendo – simplesmente por razões comerciais que nos levam a um estado de total alienação – não olhamos para dentro de nós mesmos e fazemos uma autoanálise, tentando descobrir, lá no íntimo de cada um, o que nos impediu de seguir em frente na busca de nossos ideais?
Talvez porque seja muito difícil olharmos para nosso espelho interno e aceitarmos que não progredimos, não evoluímos, deixamos que a vida passasse, simplesmente...
Dentro da tradição cristã, Natal é o dia em que se comemora o nascimento de Cristo. Como vivemos numa sociedade consumista, o verdadeiro espírito do Natal se perdeu e o que vemos hoje é uma corrida desenfreada à procura de presentes para serem trocados na véspera do aniversário de Cristo, como se fôssemos, nós, os aniversariantes.
E temos, assim, mais uma festa pagã, apesar do caráter religioso que a data encerra...
Termino esta reflexão desejando a todos um Natal iluminado. Que ele seja todo feito de coisas boas, recheado com muita saúde, paz, alegria e amor. E que todos os dias de suas vidas possam ser assim. Afinal, não devemos buscar a alegria somente num dia do ano.
Márcia Sanchez Luz