sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cantiga para aliviar a dor


Img: Espanha, Salvador Dalí






















Teu sofrimento dói em mim também,
mas teu sorriso me faz rir da vida,
ter esperança que há de haver saída
para a tristeza que nos faz reféns

de nossos pares que por vezes nem
nos olham com os olhos de acolhida
que tanto precisamos. É dorida
a falta do carinho de outro alguém!

Cuido de ti, prometo que não vais
sofrer na escuridão, chorar de dor
nem quando a morte der os seus sinais.

De solidão, eu nunca vou deixar
sentires frio, sob o cobertor:
sempre estarei aqui pra te afagar.


© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Partitura


WomenStudio_104 - Christian Coigny






















Sem mim, amor, eu sei que sentes frio.
Quando estou perto, abraço-te em meu peito
e deixo que me afagues do teu jeito
até que nos tornemos um só rio

imenso, cor violeta, luz, delírio!
Podemos contemplar de nosso leito
o brilho que irradia o som perfeito
da melodia escrita em desvario.

Por horas em silêncio nós ficamos
a recordar aquele breve instante
de amor intenso, cavalgar pulsante

de corpos que se perdem da razão.
Agora sei que é o fim da escuridão
que tanto nos tomou de desenganos.


© Márcia Sanchez Luz

segunda-feira, 14 de março de 2011

Poeta - soneto de Márcia Sanchez Luz



Imagem: Márcia Sanchez Luz



Sou da palavra a chama que descreve
e alisa e abraça as causas mais diversas.
Se for de outrem a dor que não prescreve,
faço-lhe minha amante mesmo em trevas.

Se acaso o sopro me lançar à verve
de uma cantiga envolta em densas névoas,
deixo a cadência se verter bem breve
e transformar em flor dores primevas.

Mas se no equívoco da fantasia
eu acordar de um sonho desvalido,
não vou chorar – conheço a ventania!

Sei que adiante a luz que outrora havia
vai ressurgir até no amor premido
por uma febre ardendo em demasia.


© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Acalanto


The Bridge - Inga Nielsen


Eu amo como quem deita no chão
e fica olhando estrelas no relento.
A calma chega em forma de acalento
e assim me entrego inteira a uma ilusão

de que aguardar-te não vai ser em vão.
Bem sei que tu me queres e, sedento,
nem vais me perguntar se espero o vento
trazer-me a paz em forma de canção.

Por vezes este amor me varre os dias
como uma tempestade em pleno estio
a me afogar em medos e fobias.

Por outras ele acorda meus instintos,
me faz valente, sem temer o frio
das noites invernais de afetos findos.


© Márcia Sanchez Luz


domingo, 26 de dezembro de 2010

Novo livro de Márcia Sanchez Luz

Editora Protexto lança Quero-te ao som do silêncio!, livro de sonetos de Márcia Sanchez Luz, prefaciado pelo jornalista Caio Martins e quarta capa com comentários de Leila Míccolis, Rogel Samuel, Graça Graúna, Marco Bastos, Jorge Sader Filho e Airo Zamoner.





"Márcia trata a forma poética como artesã, dominando materiais e ferramentas nos limites das potencialidades. Entalha e esculpe, pinta e tece sem esforços, lapida e compõe em ritmo impecável, como que em métrica de cadência sinfônica.

Há que ter, todavia, inteligência e sensibilidade para deles auferir dimensões humanas tênues e vitais, pois Márcia torna-se, pela límpida criatividade e autonomia, numa referência para quem vive significados intensamente.

E nos chega suavemente e sem alaridos, transcendendo a mera alegoria e revelando, aliciente e plena, até do mais corriqueiro, a Poesia. "Quero-te ao som do silêncio!" é um convite a partilhar desse encantamento."


Caio Martins


Capa: imagem do quadro "Despida de Gravidade", do artista plástico Gustavo Saba, gentilmente cedida pelo autor.

Para adquirir o livro, basta clicar na capa ou no site da Editora.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Uma reflexão acerca do Natal


Presépio - Michelangelo


Nesta época do ano, como num ritual, todos queremos fazer um balanço de nossas vidas, mesmo sabendo que nada faremos, que tudo continuará igual assim que o Natal e a passagem de um ano para o outro acontecer.

Agimos como se fôssemos instituição bancária, comércio ou empresa – paramos tudo e, mesmo incrédulos com os resultados negativos, comemoramos. Tudo isto é irônico demais!

Está certo que rituais de passagem façam parte de nossa história de vida - eles marcam o fim de uma época e o início de algo desconhecido, que ao mesmo tempo fascina e assusta.

Assim, por que não aproveitamos este momento e refletimos acerca do que fizemos, do que acrescentamos às nossas vidas e à vida de nossos semelhantes? Por que não lutamos para ver nossos sonhos e metas realizadas? Por que, ao invés de pararmos tudo o que estávamos fazendo – simplesmente por razões comerciais que nos levam a um estado de total alienação – não olhamos para dentro de nós mesmos e fazemos uma autoanálise, tentando descobrir, lá no íntimo de cada um, o que nos impediu de seguir em frente na busca de nossos ideais?
Talvez porque seja muito difícil olharmos para nosso espelho interno e aceitarmos que não progredimos, não evoluímos, deixamos que a vida passasse, simplesmente...

Dentro da tradição cristã, Natal é o dia em que se comemora o nascimento de Cristo. Como vivemos numa sociedade consumista, o verdadeiro espírito do Natal se perdeu e o que vemos hoje é uma corrida desenfreada à procura de presentes para serem trocados na véspera do aniversário de Cristo, como se fôssemos, nós, os aniversariantes.

E temos, assim, mais uma festa pagã, apesar do caráter religioso que a data encerra...

Termino esta reflexão desejando a todos um Natal iluminado. Que ele seja todo feito de coisas boas, recheado com muita saúde, paz, alegria e amor. E que todos os dias de suas vidas possam ser assim. Afinal, não devemos buscar a alegria somente num dia do ano.

Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Fazendo as contas...




Tiraram-me os discos,
meus sonhos jogaram
na lata do lixo.

Deixaram-me os livros,
meus medos guardaram
junto aos meus rabiscos.

As noites que eu tinha
trocaram por dias
às vezes escuros
como o céu sem lua.

E eu me sinto nua:
coito prematuro
beirando a ironia
de uma dor rainha.

© Márcia Sanchez Luz

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Auras



Archeological Reminiscence - Salvador Dalí


Queria poder te contar
meus mais loucos sonhos
tão reais devaneios!
Viagens astrais...

Portais emanando a justiça
palidamente escondida
pelas mãos da humanidade
torta, fria, desumana.

Infinitamente maiores
do que jamais vislumbrara
surgem auras, alvas auras!
Leves dançam, giram, voam.

Polidamente me chamam
com natural cortesia.
Sussurram sons cristalinos
como água e vento se amando.

Corre o tempo e o tempo clama
retidão de sentimentos
coração aberto ao vento
lágrimas, doce momento.

© Márcia Sanchez Luz

Do livro: "No Verde dos Teus Olhos", Ed. Protexto, PR, 2007



sábado, 11 de setembro de 2010

Ser(afim) - Soneto de Márcia Sanchez Luz


Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,
é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.
(Arthur da Távola)






 




Deep In The Woods - Inga Nielsen


Quem encontra um Ser(afim)
tem na vida um anjo raro.
É feito do mesmo barro
com que Deus faz seu jardim.

Ele é todo de jasmins,
brota água fresca do jarro
que enfeita o que sempre é caro
aos olhos de um Querubim.

É bem difícil achar
no meio da multidão
um ser assim singular!

Há que segurar-lhe a mão,
fazer carinho, mimar
e agradar seu coração.

© Márcia Sanchez Luz

sábado, 7 de agosto de 2010

PARA UM PAI, QUE É MEU SONETO VIVO


Horseman - Wassily Kandinsky


Meu pai, o teu carinho é sempre alento
para que eu creia um pouco mais na vida,
no humano ser que neste mundo habita
e tantas coisas faz sem cabimento.

Nunca te faltam sábios argumentos
para deixar-me calma, quando aflita,
me perco em meio à dor de uma ferida
que insiste em maltratar meu pensamento.

E quando chega o medo a ti recorro
(com teus conselhos sinto-me amparada)
para guiar-me os passos intrincados

na trilha solitária que percorro.
Hoje o que peço, pai, é quase nada:
deixa eu te ter pra sempre do meu lado!

© Márcia Sanchez Luz

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Mascaradas



Não há porque cobrar de ti, amor,
o que tampouco posso dar de mim.
Posso porém pedir, veja-me assim
como semente forte em viço e cor

a alimentar teus sonhos de Pierrô,
quem sabe até quimeras de Arlequim
(todo vestido em tiras de cetim)
que após sorver um gole de licor

recobra forças antes escondidas
e vai atrás da amada Colombina
pra declarar, mesmo em total silêncio,

o afeto que era febre adormecida
(por falta de uma antiga lamparina)
e que hoje queima feito fogo intenso.

© Márcia Sanchez Luz

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Selo Presença Literária 2010

Um presente de Graça Graúna




Querida Marcia: inspirada na obra "Livros", de Van Gogh, criei o Selo Presença Literária 2010 para expressar minha grande admiração e gratidão as pessoas que expressam a difícil arte do dialogar por meio da literatura. É um selo humilde, mas é de coração.

Paz e bem,
Grauninha

----------


Obrigada pela linda homenagem, minha querida Grauninha!

Beijos carinhosos

Márcia

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Gentileza


Imagem: Google


Gentileza, meu infante,
não se compra, é pra quem tem;
ser amável, elegante
não custa nada a ninguém.

© Márcia Sanchez Luz

(Menção Especial no Concurso da UBT)