sábado, 2 de julho de 2011
sábado, 18 de junho de 2011
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Cantiga para aliviar a dor
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| Img: Espanha, Salvador Dalí |
Teu sofrimento dói em mim também,
mas teu sorriso me faz rir da vida,
que tanto precisamos. É dorida
a falta do carinho de outro alguém!
Cuido de ti, prometo que não vais
sofrer na escuridão, chorar de dor
nem quando a morte der os seus sinais.
De solidão, eu nunca vou deixar
sentires frio, sob o cobertor:
sempre estarei aqui pra te afagar.
© Márcia Sanchez Luz
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Partitura
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| WomenStudio_104 - Christian Coigny |
Sem mim, amor, eu sei que sentes frio.
Quando estou perto, abraço-te em meu peito
e deixo que me afagues do teu jeito
até que nos tornemos um só rio
imenso, cor violeta, luz, delírio!
Podemos contemplar de nosso leito
o brilho que irradia o som perfeito
da melodia escrita em desvario.
Por horas em silêncio nós ficamos
a recordar aquele breve instante
de amor intenso, cavalgar pulsante
de corpos que se perdem da razão.
Agora sei que é o fim da escuridão
que tanto nos tomou de desenganos.
© Márcia Sanchez Luz
segunda-feira, 14 de março de 2011
Poeta - soneto de Márcia Sanchez Luz

Imagem: Márcia Sanchez Luz
Sou da palavra a chama que descreve
e alisa e abraça as causas mais diversas.
Se for de outrem a dor que não prescreve,
faço-lhe minha amante mesmo em trevas.
Se acaso o sopro me lançar à verve
de uma cantiga envolta em densas névoas,
deixo a cadência se verter bem breve
e transformar em flor dores primevas.
Mas se no equívoco da fantasia
eu acordar de um sonho desvalido,
não vou chorar – conheço a ventania!
Sei que adiante a luz que outrora havia
vai ressurgir até no amor premido
por uma febre ardendo em demasia.
© Márcia Sanchez Luz
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Acalanto

The Bridge - Inga Nielsen
Eu amo como quem deita no chão
e fica olhando estrelas no relento.
A calma chega em forma de acalento
e assim me entrego inteira a uma ilusão
de que aguardar-te não vai ser em vão.
Bem sei que tu me queres e, sedento,
nem vais me perguntar se espero o vento
trazer-me a paz em forma de canção.
Por vezes este amor me varre os dias
como uma tempestade em pleno estio
a me afogar em medos e fobias.
Por outras ele acorda meus instintos,
me faz valente, sem temer o frio
das noites invernais de afetos findos.
© Márcia Sanchez Luz
domingo, 26 de dezembro de 2010
Novo livro de Márcia Sanchez Luz
"Márcia trata a forma poética como artesã, dominando materiais e ferramentas nos limites das potencialidades. Entalha e esculpe, pinta e tece sem esforços, lapida e compõe em ritmo impecável, como que em métrica de cadência sinfônica.
Há que ter, todavia, inteligência e sensibilidade para deles auferir dimensões humanas tênues e vitais, pois Márcia torna-se, pela límpida criatividade e autonomia, numa referência para quem vive significados intensamente.
E nos chega suavemente e sem alaridos, transcendendo a mera alegoria e revelando, aliciente e plena, até do mais corriqueiro, a Poesia. "Quero-te ao som do silêncio!" é um convite a partilhar desse encantamento."
Caio Martins
Capa: imagem do quadro "Despida de Gravidade", do artista plástico Gustavo Saba, gentilmente cedida pelo autor.
Para adquirir o livro, basta clicar na capa ou no site da Editora.
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Uma reflexão acerca do Natal

Presépio - Michelangelo
Nesta época do ano, como num ritual, todos queremos fazer um balanço de nossas vidas, mesmo sabendo que nada faremos, que tudo continuará igual assim que o Natal e a passagem de um ano para o outro acontecer.
Está certo que rituais de passagem façam parte de nossa história de vida - eles marcam o fim de uma época e o início de algo desconhecido, que ao mesmo tempo fascina e assusta.
Assim, por que não aproveitamos este momento e refletimos acerca do que fizemos, do que acrescentamos às nossas vidas e à vida de nossos semelhantes? Por que não lutamos para ver nossos sonhos e metas realizadas? Por que, ao invés de pararmos tudo o que estávamos fazendo – simplesmente por razões comerciais que nos levam a um estado de total alienação – não olhamos para dentro de nós mesmos e fazemos uma autoanálise, tentando descobrir, lá no íntimo de cada um, o que nos impediu de seguir em frente na busca de nossos ideais?
Dentro da tradição cristã, Natal é o dia em que se comemora o nascimento de Cristo. Como vivemos numa sociedade consumista, o verdadeiro espírito do Natal se perdeu e o que vemos hoje é uma corrida desenfreada à procura de presentes para serem trocados na véspera do aniversário de Cristo, como se fôssemos, nós, os aniversariantes.
E temos, assim, mais uma festa pagã, apesar do caráter religioso que a data encerra...
Termino esta reflexão desejando a todos um Natal iluminado. Que ele seja todo feito de coisas boas, recheado com muita saúde, paz, alegria e amor. E que todos os dias de suas vidas possam ser assim. Afinal, não devemos buscar a alegria somente num dia do ano.
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Fazendo as contas...
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Auras

Archeological Reminiscence - Salvador Dalí
Queria poder te contar
meus mais loucos sonhos
tão reais devaneios!
Viagens astrais...
Portais emanando a justiça
palidamente escondida
pelas mãos da humanidade
torta, fria, desumana.
Infinitamente maiores
do que jamais vislumbrara
surgem auras, alvas auras!
Leves dançam, giram, voam.
Polidamente me chamam
com natural cortesia.
Sussurram sons cristalinos
como água e vento se amando.
Corre o tempo e o tempo clama
retidão de sentimentos
coração aberto ao vento
lágrimas, doce momento.
© Márcia Sanchez Luz
Do livro: "No Verde dos Teus Olhos", Ed. Protexto, PR, 2007
sábado, 11 de setembro de 2010
Ser(afim) - Soneto de Márcia Sanchez Luz
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças,é conversar no silêncio, tanto das possibilidades exercidas,
quanto das impossibilidades vividas.
(Arthur da Távola)
Deep In The Woods - Inga Nielsen
Quem encontra um Ser(afim)
tem na vida um anjo raro.
É feito do mesmo barro
com que Deus faz seu jardim.
Ele é todo de jasmins,
brota água fresca do jarro
que enfeita o que sempre é caro
aos olhos de um Querubim.
É bem difícil achar
no meio da multidão
um ser assim singular!
Há que segurar-lhe a mão,
fazer carinho, mimar
e agradar seu coração.
© Márcia Sanchez Luz
sábado, 7 de agosto de 2010
PARA UM PAI, QUE É MEU SONETO VIVO

Horseman - Wassily Kandinsky
Meu pai, o teu carinho é sempre alento
para que eu creia um pouco mais na vida,
no humano ser que neste mundo habita
e tantas coisas faz sem cabimento.
Nunca te faltam sábios argumentos
para deixar-me calma, quando aflita,
me perco em meio à dor de uma ferida
que insiste em maltratar meu pensamento.
E quando chega o medo a ti recorro
(com teus conselhos sinto-me amparada)
para guiar-me os passos intrincados
na trilha solitária que percorro.
Hoje o que peço, pai, é quase nada:
deixa eu te ter pra sempre do meu lado!
© Márcia Sanchez Luz
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Mascaradas

o que tampouco posso dar de mim.
Posso porém pedir, veja-me assim
como semente forte em viço e cor
a alimentar teus sonhos de Pierrô,
quem sabe até quimeras de Arlequim
(todo vestido em tiras de cetim)
que após sorver um gole de licor
recobra forças antes escondidas
e vai atrás da amada Colombina
pra declarar, mesmo em total silêncio,
o afeto que era febre adormecida
(por falta de uma antiga lamparina)
e que hoje queima feito fogo intenso.
© Márcia Sanchez Luz



